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O inversor pode ficar na chuva?


Ao conhecer os equipamentos que compõe a instalação de uma usina fotovoltaica é possível ter a seguinte dúvida: o inversor solar pode ficar na chuva? O equipamento pode molhar? Continue a leitura e descubra de que forma um inversor solar resiste a tais circunstâncias.

O inversor solar é um dos equipamentos essenciais para compor a instalação de uma usina fotovoltaica. A energia elétrica que é produzida pelos painéis fotovoltaicos em corrente contínua (CC) é transformada pelo inversor solar em corrente alternada (CA), viabilizando o aproveitamento e uso dessa energia nos aparelhos elétricos convencionais. Sendo assim, não é possível ter um aproveitamento da energia elétrica gerada pelos painéis na ausência de um inversor solar.

Diferente dos painéis fotovoltaicos que são fabricados para resistir a intempéries e adversidades, a exposição do inversor solar a chuva, ao sol e até mesmo em relação a poeira deve ser analisada. Isto pois o inversor solar possui níveis de proteção que são determinadas por uma classificação IP.

O que é classificação IP do inversor solar?

A sigla IP significa índice de proteção. Logo, o IP é um dos itens que deve ser verificado ao determinar o local que o inversor fotovoltaico será instalado. Desconsiderar isto pode provocar uma redução da vida útil do equipamento! A classificação IP citada é estabelecida pela norma ABNT NBR IEC 60529 “Graus de proteção para invólucros de equipamentos elétricos – Códigos IP”, a qual especifica todos os níveis de proteção conferidos a estes equipamentos assegurando a proteção contra ingresso de poeira e de água no interior do equipamento.

O interessante é que os códigos IP não se restringem apenas a especificação do nível de proteção de inversores. A norma brasileira publicada em março de 2017 se aplica a equipamentos elétricos que possuem tensão nominal de até 72,5kV. O nível de proteção é apresentado por meio de uma codificação a qual é composta por 2 números. O dígito da dezena refere-se a grau de proteção em relação poeira ou corpos sólidos sendo classificado entre os números zero (0) e seis (6).

Enquanto o dígito da unidade refere-se aos parâmetros de proteção contra a presença de água. Este dígito é classificado entre os números zero (0) e nove (9). Em síntese o primeiro dígito refere-se as medidas aplicadas para impedir a entrada de poeira e o segundo dígito é relacionado a medidas aplicadas a fim de proteger o interior do equipamento do contato com água.

A partir destes 2 números há várias combinações entre as proteções contra água e poeira que podem ser concedidas aos equipamentos elétricos. É importante ressaltar que os níveis de proteção são válidos caso a instalação do inversor tenha sido executada conforme as orientações do fabricante.

Confira a seguir as tabelas que descrevem o grau de proteção relacionado a cada dígito.

Tabela 1: Grau de proteção IP, referente ao ingresso de poeira em invólucros.

Primeiro dígito

Descrição

Corpos que não devem ingressar no interior do invólucro

0

Não protegido.

Não protegido.

1

Protegido contra objetos sólidos de dimensão maior que 50mm.

Uma parte do corpo humano, como o dorso da mão.

2

Protegido contra objetos sólidos de dimensão maior que 12,5 mm.

​Dedos ou objetos similares que o comprimento seja maior que 80 mm e a menor dimensão > 12 mm.

3

Protegido contra objetos sólidos de dimensão maior que 2,5 mm.

Ferramentas, fios, etc. de diâmetro e ou espessura maiores que 2,5 mm cuja menor dimensão > 2,5 mm.

4

Protegido contra objetos sólidos de dimensão maior que 1,0 mm.

Fios, fitas de largura maior do que 1,0 mm, objetos cuja menor dimensão é maior que 1,0 mm.

5

Protegido contra o ingresso de poeira.

O ingresso de poeira não é totalmente evitado, mas a poeira não deve ingressar em quantidade que possa interferir no funcionamento do equipamento ou prejudicar sua segurança.

6

Totalmente protegido contra o ingresso de poeira.

Nenhum ingresso de poeira.

Fonte: Revista O Setor Elétrico


Tabela 2: Grau de proteção IP, referente ao ingresso de água em invólucros.

​Segundo dígito

Descrição

Proteção proporcionada pelo invólucro

0

Não protegido.

Não protegido.

1

Protegidos contra queda vertical de gotas de água.

Gotas de água caindo verticalmente não devem provocar efeitos prejudiciais.

2

Protegido contra quedas de água com inclinações de até 15° com o plano vertical.

Gotas caindo verticalmente não devem provocar efeitos prejudiciais quando o invólucro é inclinado num ângulo de até 15° de cada lado da vertical.

3

Protegido contra água asperida.

Água aspergida num ângulo de até 60° de cada lado da vertical contra o invólucro não deve provocar efeitos prejudiciais.

4

Protegido contra projeções de água.

Água esguichada contra o invólucro em qualquer direção não deve provocar efeitos prejudiciais.

5

Protegido contra jatos de água.

Água projetada em jatos contra o invólucro em qualquer direção não deve provocar efeitos prejudiciais (com vazão de 12,5 L/min).

6

Protegido contra jatos de água potentes.

Quando o invólucro estiver imerso em água, sob condições previamente acordadas entre o fabricante e o usuário, não deve ser possível o ingresso de água em quantidade que provoque efeitos prejudiciais, porém as condições devem ser mais severas do que para segundo numeral 7.

7

Sob determinadas condições de tempo e pressão, não há ingresso de água.

Quando o invólucro estiver imerso temporariamente em água sob condições padronizadas de pressão (profundidade do invólucro de 1 m) e tempo (30 minutos), não deve ser possível o ingresso de água em quantidade que provoque efeitos prejudiciais.

8

Adequado à submersão contínua sob condições específicas.

Adequado à submersão contínua sob condições específicas.

9

Protegido contra jatos de água de alta pressão e alta temperatura.

Água projetada a alta pressão e alta temperatura (80°C) contra o invólucro em qualquer direção não apresenta efeitos prejudiciais.

Fonte: Revista O Setor Elétrico


Onde fica o IP do inversor solar?

Talvez você esteja pensando, como é possível consultar o IP do inversor? Esta informação é apresentada no manual técnico e também no datasheet dos equipamentos. A determinação do IP do equipamento é feita tendo como base relatórios de ensaios executados em laboratórios por parte do fabricante do equipamento.

Sabemos que diferente de um inversor string, micro inversores são instalados atrás dos painéis fotovoltaicos, consequentemente, é fundamental que o IP de um micro inversor seja superior ao IP de um inversor string. Hoje no mercado há inversores string com IP 65 assegurando que o equipamento resista totalmente ao ingresso de poeira e contra jatos de água, enquanto há micro inversores com IP 67 que garante que o mesmo tolere totalmente o ingresso de poeira e sob determinadas condições de tempo e pressão não ocorra o ingresso de água capaz de provocar efeitos prejudiciais ao equipamento.


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